Talvez pelos congestionamentos cada vez maiores, o que tem causado uma
mudança nas preferências do consumidor, é fato que a oferta de carros
sem o pedal de embreagem está se democratizando. O câmbio automático,
comum em carros médios e maiores, tem chegado com força aos pequenos. O
primeiro deles a receber a facilidade foi o Peugeot 206, que virou 207
em 2008. Com a chegada do novo modelo, a linha ainda ganhou a versão
sedã, a Passion.
A concorrência precisou se mexer. A escolha,
então, caiu sobre as caixas robotizadas, ou automatizadas, mais leves e
baratas que as automáticas. No Brasil, a primeira a empregar o sistema
foi a Chevrolet, na Meriva. Depois, veio a Fiat com Stilo, Linea e linha
Palio e, finalmente, a Volkswagen para Polo, Gol e Voyage.
Diferentemente da transmissão automática, que possui acoplamento por
conversor de torque, o câmbio automatizado é similar ao manual, mas sem o
uso da embreagem, já que o acionamento do equipamento para mudança das
velocidades é elétrico.
O Peugeot 207 Passion com câmbio
automático só é vendido na versão topo de linha por R$ 47.500. O único
opcional é o airbag duplo. De série, o três volumes traz freios ABS,
ar-condicionado automático com comando digital, direção hidráulica, trio
elétrico, farois de neblina, computador de bordo e rodas de 15
polegadas.
O Voyage iMotion é oferecido em três versões,
começando pela mais simples, que custa R$ 37.936. Depois vem a Trend,
que sai por R$ 40.527 e inclui direção hidráulica e preparação de som,
além de acessórios estéticos. A Comfortline, que traz direção com
regulagem de altura e profundidade e farois de neblina custa R$ 42.206.
Para equivaler ao 207 Passion em equipamentos, tirando o comando digital
do ar-condicionado, o Volkswagen pula para R$ 49.247 com airbag duplo.
Trocas
comandadas pelo carro ou pelo motoristaOs dois motores
são de 1,6 litro, com vantagem para o 207 Passion por conta do cabeço
de 16V. Ele rende 110 cv com gasolina e 113 cv com álcool a 5.600 rpm. O
torque máximo demora a aparecer, aos 4.000 rpm, mas é de 14,2 kgfm (g) e
15,5 kgfm (a). Segundo a Peugeot, o sedã acelera de 0 a 100 km/h em
12,3 s e é capaz de atingir 185 km/h.
O Voyage é equipado com o
conhecido 1.6 8V chamado de EA-111, que equipa Golf, Polo, Fox e, claro,
a linha Gol. O torque máximo é de 15,6 kgfm com álcool e 15,4 kgfm com
gasolina, e aparece cedo, a 2.500 rpm. A potência, alcançada a 5.250
rpm, é de 104 cv (a) e 101 cv (g). Com força em baixas rotações, a
impressão é de que o Voyage anda mais, mas o Peugeot acaba tendo melhor
desempenho em altas rotações. Uma pena que o câmbio de quatro
velocidades tire boa parte deste rendimento.
Uma característica
que as duas caixas têm em comum é a opção de trocas, cada uma ao seu
modo. O câmbio Tiptronic do Peugeot permite a alternância entre suas
quatro marchas, mas não totalmente a cargo de quem dirige. As trocas são
lentas e feitas sozinhas caso o motorista se esqueça de mover a
alavanca. No modo automático, por outro lado, as mudanças são suaves,
mas ainda assim vagarosas. Precisar de uma redução para uma retomada
exige o pé no assoalho e um pouco de paciência.
A caixa DSG do
Voyage iMotion é mais respeitosa com a vontade do motorista. No modo
manual, ele só reduz quando cai o giro do motor e só vai para a marcha
seguinte quando a alavanca é empurrada ou o ponteiro do conta-giros
chega ao limite. É preciso lembrar de tirar o pé do acelerador como em
um carro manual ou o carro dá tranco. Este problema se repete no modo
automatizado. Para saber quando é a troca de marcha (são cinco no
total), só com o tempo e se acostumando.