Quem olha para o ranking de vendas do mercado brasileiro constata
que Ford Fiesta Sedan e Renault Logan já tiveram dias melhores. No
acumulado de 2010, eles ocupam, respectivamente, a 5ª e a 6ª posição no
segmento, atrás de Fiat Siena, Chevrolet Corsa Sedan (incluindo
Classic), Volkswagen Voyage e Chevrolet Prisma.
Para tentar recuperar mercado, Ford e Renault promoveram nas
respectivas linhas 2011 de seus sedãs pequenos uma leve reforma visual e
de acabamento na tentativa de, pelo menos, lembrar os consumidores de
que eles também existem e, quem sabe, convencê-los de uma visita às suas
concessionárias.
Enquanto a nova geração não vem para o Brasil, o Fiesta ganhou a
cara de seu irmão indiano Figo, nada mais do que o mesmo carro vendido
aqui, porém com mudanças específicas para o país asiático. Para quem
esperava não só a cara, mas o corpo todo do europeu, foi um belo balde
de água fria. Mas ruim mesmo é olhar a lista de preços do Fiesta.

Cuidado com o bolso
Para este comparativo, reunimos aqui as opções com motor 1.6
dos dois modelos, a qual, no caso do Ford, é responsável por 70% do mix
de vendas. Sendo assim, o Fiesta nessa configuração parte de R$ 37.650,
R$ 4.960 mais caro do que o Logan Expression 1.6 8V (R$ 32.690)
escolhido para esta disputa. A diferença é tão absurda que o Renault
equipado com ar-condicionado, direção hidráulica, volante regulável em
altura, travas e vidros elétricos, faróis de neblina e computador de
bordo custa apenas R$ 40 a mais (R$ 37.690) do que o Fiesta de entrada, o
qual já traz vidros dianteiros elétricos de série.
Com os mesmos equipamentos do Logan, acrescentando à versão
Pulse do Fiesta o Kit Class, o preço do Ford sobe para R$ 42.810. Para
ter uma noção ainda mais clara, por R$ 41.240 é possível levar para casa
o Logan com todos os opcionais. Isso agrega, além dos importantíssimos
freios ABS e airbag duplo, MP3 player com comando satélite, vidros
traseiros elétricos, retrovisores elétricos na cor da carroceria,
alarme, rodas de liga leve aro 15” e volante com revestimento de couro.

Já no Fiesta, com uma política de opcionais que não se
complementam, o interessado tem que escolher entre o catálogo SEB1, que
traz airbag duplo e freios ABS, ou o SEC1, composto por rodas de liga
leve e o kit My Connection com MP3 player, Bluetooth e entradas
auxiliares. Ambos tem o mesmo valor e elevam o preço do Fiesta para R$
44.810. Pelo visto, o Fiesta Sedan está longe de atrair pelo
custo/benefício.
No quesito manutenção, porém, a situação se inverte. Antes, é
bom destacar que o Logan possui garantia de três anos contra um do
Fiesta, desde que todas as revisões obrigatórias do Renault e do Ford
sejam feitas nas concessionárias. Com pacotes fechados, as manutenções
periódicas das duas marcas foram equivalentes. Contudo, a cotação de
nossa cesta de peças (composta por para-lama esquerdo, retrovisor
esquerdo, jogo de pastilhas, jogo de amortecedores e kit de embreagem)
deslocou a balança a favor do Fiesta. Seu pacote sai por R$ 1.489,
enquanto o do Logan nos custaria R$ 2.066.
Dentre os itens que mais chamaram a atenção encontram-se a
diferença de quase R$ 300 a favor do Fiesta com relação ao para-lama
esquerdo e de aproximadamente R$ 200, também para o Fiesta, dessa vez no
jogo de amortecedores. Quem vai contratar um seguro também gastará
menos com o Fiesta. A apólice calculada para nosso perfil padrão (homem,
40 anos, casado, sem filhos e residente na zona sul da cidade de São
Paulo) e sem levar em conta bônus ou outros benefícios, saiu, em média,
R$ 1.785 ante R$ 2.351 para o Renault.
Se somarmos a diferença entre peças e seguro dos dois, o Fiesta
economiza R$ 1.143, valor que amortiza muito pouco os cerca de R$ 5.000
quando levamos em conta as opções de entrada. Além disso, na pista de
testes, os dois “sedãzinhos” se mostraram bem parelhos.
Na pista
Com pesos em ordem de marcha semelhantes (confira na ficha
técnica), o Fiesta é movido pelo bloco 1.6 RoCam de 107 cv de potência a
5.500 rpm e 15,3 kgfm de torque a 5.000 rpm. Já o 1.6 Hi-Torque do
Logan entrega 95 cv a 5.250 rpm e 14,1 kgfm a 2.850 rpm, ambos com
etanol. Segundo nossas medições, para sair da imobilidade e atingir 100
km/h, o Ford precisou de 13s0, enquanto o Logan foi quase um segundo
mais lento (13s8). No 0 a 60 km/h e no 0 a 80 km/h, o Fiesta também
disparou na frente com os tempos de 5s1 e 8s6, respectivamente, contra
6s1 e 9s4 do Logan.
O Renault, entretanto, deu um belo troco nas retomadas, prova
que nos dá indícios de como o carro se comportaria em uma ultrapassagem
na estrada, por exemplo. Para ir de 40 a 100 km/h (3ª marcha) e de 60 a
120 km/h (4ª), ele levou 12s4 e 15s4, ficando bem à frente do Fiesta,
que cumpriu as duas etapas em 13s2 e 19s0. Com um empate técnico nas
arrancadas, já que cada um foi melhor em um tipo de medição, vamos
analisar outros itens tão importantes quanto o desempenho. São eles:
frenagem e consumo.
Com etanol, o Logan registrou 7,5 km/l na cidade e 10,6 km/l na
estrada, média de 9,0 km/l. O Fiesta, por sua vez, percorreu 6,9 km/l
em ciclo urbano e 11,9 km/l em percurso rodoviário, o que lhe confere um
consumo médio de 9,4 km/l. Com relação aos freios, ambos mantiveram a
paridade. Sem a assistência do ABS, os dois precisaram de 58,8 metros
para parar vindos a 100 km/h. Já no 80 km/h até a imobilidade, o Fiesta
usou 1,7 m de pista a menos.
Para dirigir, é inegável que o Fiesta é um carro mais
agradável. O Logan, com seu câmbio de engates pesados e longos, cansa um
pouco mais o motorista, enquanto sua suspensão é permissiva demais em
termos de rolagem lateral da carroceria.
Mas como nenhum deles se digna a ser um esportivo, o Logan pelo
menos compensa em dois atributos importantes entre os sedãs compactos:
espaço interno e porta-malas. Quem já teve a oportunidade de andar no
Renault sabe que nele cinco passageiros se acomodam sem problemas, e
isso vale mesmo para quem tem mais de 1,80 m. O Fiesta dificilmente se
iguala em espaço para pernas e cabeça. Se os passageiros da frente
recuarem o banco, então, nem se fala.
Já no quesito porta-malas, é bom fazer uma ressalva. De fato o
bagageiro do Logan, com seu espaço para 510 litros, é maior que o do
Fiesta, com capacidade para 487 litros (sendo 478 l no local mais 9 l
sob o piso). O Ford, porém, conta com dobradiças pantográficas, que não
roubam espaço destinado à carga, diferentemente dos braços presentes no
Renault.
Se o Fiesta 2011 mudou basicamente só na dianteira e na
lanterna traseira, pelo menos o Logan, além da nova frente e das
lanternas redesenhadas, contou com o esforço da equipe francesa para
tentar sanar alguns problemas que causavam incômodo no modelo, tal como o
acionamento dos vidros elétricos, que saiu do painel central e agora
está na lateral das portas, e a inclusão do volante com regulagem de
altura.
Há alguns anos, o resultado poderia ser diferente, mas pelo valor
de compra bem mais compensador, o desempenho parelho, o maior espaço
interno e para bagagens e as melhorias internas, o Logan leva essa
disputa contra o Fiesta Sedan.